Um e-mail falso custou R$ 4 milhões à Prefeitura de Felixlândia
Criminosos desviaram R$ 3.987.150 das contas da Prefeitura de Felixlândia (MG) após enganar uma servidora com e-mail falso e ligações bancárias fraudulentas, acessando remotamente o sistema financeiro durante uma falsa atualização.
Jean Oliveira, Especialista em Cibersegurança / CyberProtec
5/25/2026
A Prefeitura de Felixlândia, município de cerca de 15 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, foi vítima de um golpe eletrônico que resultou no desvio de R$ 3.987.150 das contas públicas. O crime foi descoberto na manhã de sexta-feira, 22 de maio de 2026, quando servidores do setor financeiro perceberam que todos os saldos bancários haviam sido zerados. A Polícia Militar foi imediatamente acionada e confirmou a fraude.
O ataque começou com o envio de um e-mail falso que se passava pela equipe de suporte de uma instituição bancária. A mensagem solicitava informações de contato e dados operacionais das contas públicas. Uma servidora do setor financeiro respondeu ao e-mail e, a partir daí, passou a receber ligações telefônicas de pessoas que se identificavam como funcionários do banco. Durante as conversas, os criminosos orientaram a realização de um procedimento de "atualização do sistema bancário". O computador da servidora ficou com a tela preta enquanto os falsos atendentes informavam que a atualização seguiria automaticamente durante a noite de quinta-feira, 21 de maio, e a madrugada de sexta-feira. A orientação era que o equipamento permanecesse ligado.
Enquanto a falsa atualização estava em curso, os criminosos acessaram remotamente o sistema financeiro da Prefeitura e realizaram três transferências via TED. Os valores saíram de contas vinculadas ao próprio município, ao Departamento Municipal de Saúde e ao Departamento Municipal de Educação. Toda a movimentação ocorreu em um intervalo de pouco mais de uma hora. Na manhã seguinte, uma nova ligação foi feita para "finalizar a atualização". Ao chegar ao local, a equipe de tecnologia foi acionada e constatou que todas as contas estavam sem saldo. O caso foi encaminhado à Polícia Civil, que investiga a atuação da quadrilha especializada em fraudes eletrônicas contra órgãos públicos.
▌ CYBERPROTEC INTELIGÊNCIA
O golpe de Felixlândia não dependeu de malware sofisticado. Bastaram um e-mail e um telefonema. A engenharia social deu aos criminosos acesso remoto e quase R$ 4 milhões desapareceram em uma hora. A fragilidade esteve nos processos de verificação. Uma única servidora recebeu a mensagem, atendeu as ligações e seguiu as instruções sem nenhuma segunda validação. A prevenção exige protocolos que impeçam uma pessoa sozinha de abrir o sistema financeiro sem a confirmação de outro responsável.

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