Ransomware bate recorde e o Brasil aparece no top 10 mundial

O Brasil concentrou 2% das vítimas globais, com indústria e saúde entre os alvos preferenciais, e apenas dez grupos criminosos responderam por 71% dos ataques no trimestre.

Jean Oliveira, Especialista em Cibersegurança / CyberProtec

5/21/2026

O Brasil entrou para a lista dos dez países mais afetados por ransomware no primeiro trimestre de 2026, segundo o relatório State of Ransomware Q1 2026, da Check Point Software. O país concentrou 2% das vítimas globais, com ataques direcionados principalmente aos setores de indústria, manufatura, saúde e serviços empresariais.

O levantamento mostra que 2.122 organizações tiveram dados expostos em plataformas de extorsão mantidas por grupos de ransomware no primeiro trimestre, o segundo maior volume já registrado para o período. O mercado criminoso passou por uma consolidação: apenas dez grupos concentraram 71% de todas as vítimas. O Qilin liderou pelo terceiro trimestre seguido, com 338 vítimas. O The Gentlemen foi o grupo de crescimento mais acelerado, saltando de 40 vítimas no fim de 2025 para 166 no primeiro trimestre. O LockBit confirmou sua retomada, com 163 vítimas e ações direcionadas ao Brasil, Itália e Turquia.

Sergey Shykevich, gerente de inteligência de ameaças da Check Point, afirmou que os ataques estão mais concentrados em grupos com elevada capacidade operacional, o que amplia o impacto financeiro e a interrupção das operações. Ele destaca que o uso de inteligência artificial acelerou etapas como acesso inicial e movimentação dentro das redes, reduzindo o tempo de reação das empresas.

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A entrada do Brasil no top 10 global de ransomware expõe uma verdade incômoda. O país não está sendo atacado por acaso, mas por oportunidade. A consolidação de 71% dos ataques em apenas dez grupos mostra um mercado criminoso profissionalizado, que escolhe alvos com base em exposição e fragilidade. Setores como indústria, saúde e serviços dependem de operação contínua e têm baixa tolerância a paralisações, o que os torna alvos preferenciais. A inteligência artificial reduziu o tempo entre a invasão e o impacto, e a maioria das empresas ainda trata segurança como reação a prejuízos já ocorridos. A pergunta que fica não é se o Brasil sairá dessa lista, mas quais organizações vão agir antes de entrar nela.

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