Operação Estorno prende grupo que movimentou R$ 45 milhões com sequestro de chip

Dez pessoas foram presas em Minas Gerais por um esquema que usava dados vazados para sequestrar linhas telefônicas e assumir o controle de contas bancárias. A técnica, conhecida como SIM swapping, elimina todas as camadas de proteção da vítima em um único passo.

Jean Oliveira, Especialista em Cibersegurança / CyberProtec

6/18/2026

A Polícia Civil de Minas Gerais deflagrou em 16 de junho de 2026 a segunda fase da Operação Estorno, prendendo mais cinco pessoas em Juiz de Fora, Leopoldina e Belmiro Braga. Na primeira fase, outras cinco já haviam sido presas na mesma cidade. O grupo é suspeito de ter movimentado aproximadamente R$ 45 milhões em fraudes bancárias em menos de cinco anos, segundo a Polícia Civil.

O esquema operava em rede conectando Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, com núcleo em Juiz de Fora. Os líderes compravam listas vazadas de correntistas com alto poder aquisitivo no Rio de Janeiro. Com os dados em mãos, transferiam a linha telefônica da vítima para um chip controlado pelos criminosos, técnica conhecida como SIM swapping. A vítima perdia acesso a todos os aplicativos bancários e códigos de autenticação simultaneamente, sem perceber o que estava acontecendo. Com controle total das contas, o grupo realizava transferências via Pix, comprava produtos de luxo em e-commerces e usava cartões clonados em máquinas adulteradas de comerciantes parceiros. A polícia investiga a participação de comerciantes que permitiam o uso dos cartões clonados em troca de parte dos valores.

Os investigados têm entre 22 e 28 anos e perfil de classe média. Usavam o dinheiro desviado para financiar viagens internacionais, roupas de grife, veículos de luxo e uma moto aquática. Um dos suspeitos, que já havia sido preso na primeira fase, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu ao perceber a chegada da polícia. Durante as buscas foram apreendidos celulares, grande quantidade de chips, cartões bancários, dinheiro em espécie e produtos de luxo. Os investigados respondem por organização criminosa, estelionato, fraude bancária e lavagem de dinheiro.

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O SIM swapping derruba todas as camadas de segurança ao mesmo tempo. Quando a linha é transferida para o criminoso, ele recebe os tokens bancários e os códigos de autenticação que deveriam proteger a vítima. O elo inicial foi um vazamento anterior de dados. Informações expostas não desaparecem. Elas circulam por anos até serem usadas exatamente dessa forma.

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