Influenciadores viram ferramenta de fraude milionária em apostas online

Influenciadores digitais usavam contas demo para simular lucros falsos e desviar depósitos de vítimas em plataformas de apostas; a Justiça bloqueou R$ 11 milhões e nove pessoas seguem investigadas pela Polícia Civil do DF.

Jean Oliveira, Especialista em Cibersegurança / CyberProtec

5/9/2026

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou na manhã de quarta-feira, 6 de maio, uma operação para desmontar um esquema de fraudes em plataformas de apostas online que movimentou cerca de R$ 11 milhões. A ação, coordenada pela 18ª Delegacia de Polícia, em Brazlândia, cumpriu mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em outros seis estados, Goiás, Maranhão, Paraíba, Rio de Janeiro e Bahia.

Nove pessoas são investigadas por integrar uma estrutura organizada com divisão de funções que incluía liderança, operação técnica e captação de vítimas por meio de redes sociais. No centro das investigações estão três influenciadores digitais que ostentavam rotina de luxo enquanto promoviam ganhos supostamente fáceis no chamado Jogo do Tigrinho. O principal deles, Roberth Lucas, de Brazlândia, já havia sido alvo de outro mandado de busca em julho de 2024.

Segundo a polícia, os suspeitos utilizavam contas de demonstração, nas quais os resultados eram manipulados para aparentar altos lucros, induzindo seguidores a acessar links fraudulentos e investir dinheiro em sistemas programados para gerar prejuízo. A investigação aponta que os valores depositados pelas vítimas eram desviados sem que as apostas fossem efetivamente realizadas.

O grupo utilizava proxies para ocultar identidade e CPFs de terceiros para movimentar os valores. Um dos investigados apresentou média diária de R$ 48 mil em transações. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 11 milhões nas contas dos envolvidos. Os suspeitos não foram presos e poderão responder por organização criminosa e estelionato. As investigações prosseguem para identificar novos envolvidos.

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O esquema desmontado em Brasília mostra como o crime usa a mesma estrutura de marketing de influência que as marcas legítimas. A diferença é o resultado: prejuízo certo. O mecanismo mais revelador é o uso de contas demo para falsificar ganhos. A ferramenta é legítima, a simulação convence e a vítima só descobre o rombo quando o dinheiro já foi desviado. A associação de uma marca a influenciadores exige due diligence que vá além da contagem de seguidores. É preciso verificar lastro financeiro, consistência de conteúdo e origem dos resultados exibidos. Confiança contaminada contamina quem patrocina.

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